Empregos de cibersegurança em energias renováveis
Os profissionais de cibersegurança em energias renováveis protegem a tecnologia operacional, os sistemas SCADA e a infraestrutura digital que mantêm as redes elétricas e os ativos de produção em funcionamento seguro. O setor energético regista um défice estimado de 42 % em pessoal de cibersegurança, e na Europa existem cerca de 350 000 vagas por preencher nesta área.
O que distingue esta disciplina da cibersegurança convencional é a convergência entre TI e OT (tecnologia operacional). Os inversores de uma central solar, os controladores SCADA de uma turbina eólica e os protocolos de comunicação de uma rede de postos de carregamento constituem superfícies de ataque para as quais as equipas tradicionais de segurança informática não estão preparadas. Em 2022, um ciberataque a comunicações por satélite paralisou 5 800 turbinas eólicas na Alemanha. Em dezembro de 2025, um incidente coordenado atingiu centrais de energia renovável e sistemas de controlo industrial na Polónia.
O contexto português
Portugal transpôs a diretiva NIS2 através do Decreto-Lei n.º 125/2025, publicado a 4 de dezembro de 2025 e que entrou em vigor a 3 de abril de 2026. O novo Regime Jurídico da Cibersegurança consolida o papel do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) como autoridade nacional, enquanto a ERSE e a DGEG são as autoridades setoriais para eletricidade, gás, petróleo e hidrogénio. As entidades abrangidas devem nomear um responsável de cibersegurança junto do CNCS até maio de 2026. Para quem procura emprego, esta vaga regulatória está a criar funções em governança, auditoria e conformidade de cibersegurança que praticamente não existiam no setor das renováveis há cinco anos.
Que perfis são procurados
As posições mais comuns vão desde Security Engineers e consultores SCADA até arquitetos de cibersegurança OT e responsáveis de segurança OT. O domínio simultâneo da segurança TI empresarial (firewalls, SIEM, gestão de identidades) e dos sistemas de controlo industrial (PLC, RTU, protocolos Modbus/DNP3) é determinante. A procura estende-se também a especialistas em segurança da informação, segurança IoT e engenharia cloud aplicada a plataformas energéticas. Em Lisboa, os analistas de cibersegurança auferem uma média de cerca de 46 000 € anuais, sendo a energia um dos setores que melhor remunera estes profissionais.
Quem recruta
Na Europa, Scottish Power, SSE Renewables e OVO Energy estão entre os recrutadores mais ativos no Reino Unido. Enexis nos Países Baixos, Ørsted na Dinamarca e Siemens Energy na Alemanha contratam de forma consistente. Empresas como a Landis+Gyr procuram profissionais para proteger sistemas de energia inteligente e frotas de dispositivos IoT. Em Portugal, a procura por talento em cibersegurança ultrapassa significativamente a oferta, com a banca, telecomunicações e energia entre os setores mais ativos no recrutamento.
Para onde caminha o setor
A expansão de recursos energéticos distribuídos, centrais virtuais e projetos de integração na rede multiplica as superfícies de ataque mais rapidamente do que as defesas se constroem. Os profissionais que combinam experiência em segurança OT com conhecimento do setor das renováveis têm uma clara vantagem competitiva - cada novo parque eólico, sistema de armazenamento em baterias ou componente de rede inteligente acrescenta mais um sistema que necessita de proteção.