Construção em energias renováveis
Os profissionais de construção em energias renováveis edificam, montam e colocam em funcionamento a infraestrutura física - parques solares, parques eólicos, subestações e sistemas de armazenamento de energia - que converte objetivos políticos em capacidade real de produção. A nível global, cerca de 30 % dos 16,6 milhões de postos de trabalho em energias renováveis correspondem a construção e instalação, tornando-a a segunda maior categoria de emprego do sector, a seguir à operação e manutenção.
Ao contrário da construção convencional, os projetos de energias renováveis comprimem prazos e repetem processos modulares em grande escala. Um parque solar de grande dimensão requer centenas de trabalhadores durante meses - desde a cravação de estacas à montagem de seguidores e à ligação elétrica - antes de transitar para uma equipa mínima de operação. A construção de um parque eólico encadeia fundações, montagem de torres, instalação de naceles e assentamento de cabos em áreas que podem abranger milhares de hectares.
Portugal: expansão solar acelerada com desafios de mão de obra
Portugal consolidou-se como referência europeia em energias renováveis, com mais de 60 % da eletricidade proveniente de fontes renováveis. Em maio de 2025, a potência fotovoltaica instalada atingiu 6,17 GW, e o país tem como meta alcançar 20,8 GW de solar e 12,4 GW de eólica (incluindo 2 GW offshore) até 2030 - o que implica triplicar a capacidade solar num período de cinco anos.
Esta trajetória de crescimento traduz-se em emprego significativo. Segundo a APREN, aproximadamente 67 000 postos de trabalho diretos e indiretos estão ligados à energia verde em Portugal. Estima-se que o sector fotovoltaico crie cerca de 20 000 empregos adicionais até 2030. A EDP anunciou um investimento de 24 mil milhões de euros até 2026, direcionado sobretudo para eólica, solar e hidrogénio verde.
Quem constrói e que perfis são procurados
No mercado português operam grandes promotores como EDP Renováveis, Iberdrola e Endesa, a par de construtores EPC internacionais como JUWI. VINCI Energies está presente em projetos de ligação à rede e subestações.
Os perfis mais procurados incluem diretor de obra, engenheiro de projeto, gestor de obra, topógrafo e eletricista instalador. A fase de pré-construção - licenciamento, avaliação de viabilidade técnica e coordenação com autarquias - tornou-se uma especialização autónoma com procura crescente.
Escassez de profissionais qualificados
A AIE constata que mais de 50 % das empresas de energia a nível mundial enfrentam estrangulamentos críticos na contratação. Eletricistas, soldadores e técnicos de instalação estão entre os perfis mais difíceis de encontrar. Analistas da BloombergNEF estimam que as renováveis poderiam fornecer 80 % da eletricidade de Portugal até 2030, desde que o estrangulamento de mão de obra seja resolvido.
Qualificações que fazem a diferença
Conhecimentos de engenharia elétrica combinados com certificações específicas do sector - GWO Basic Safety Training para eólica, certificações de instalação fotovoltaica - permitem negociar condições salariais superiores. Cursos de instalação fotovoltaica de 12 semanas já garantem salários iniciais entre 1 400 e 1 700 euros. Experiência em gestão EPC é particularmente valorizada em funções de liderança, e qualificações em saúde e segurança no trabalho são obrigatórias na maioria dos estaleiros.
Para profissionais da construção tradicional que ponderem uma transição para as renováveis, a barreira de entrada é inferior à de quase qualquer outro segmento do sector energético.