Empregos em Energia solar térmica em energias renováveis
Energia Solar Térmica em Energias Renováveis
A energia solar térmica capta a radiação do Sol como calor e não como eletricidade: coletores planos ou de tubos de vácuo aquecem um fluido que atravessa um permutador e carrega um depósito de água quente sanitária, um circuito de piso radiante ou um processo industrial. Não se confunde com a concentração solar para produzir eletricidade, que é uma indústria de central e de turbina, com outro tipo de trabalho e outros empregadores.
É um dos ramos da energia solar mais importantes do país e um dos menos procurados por quem muda de carreira. Em 2024, o contributo renovável no aquecimento e arrefecimento em Portugal foi de 2.862 ktep, contra 3.225 ktep na eletricidade: praticamente metade da energia renovável consumida no país é calor. Ainda assim, a atenção e as candidaturas concentram-se na eletricidade.
O ramo perdeu o seu mercado histórico
Convém dizer o que aconteceu. Durante duas décadas, o coletor solar térmico foi a solução natural para água quente em habitação nova portuguesa. Depois o preço do módulo fotovoltaico caiu, a bomba de calor tornou-se eficiente e barata, e a combinação das duas passou a resolver a água quente com um sistema só e com a vantagem de também produzir eletricidade para o resto da casa. Em 2025 venderam-se 2,9 milhões de bombas de calor em 21 países europeus, mais 13 % do que no ano anterior. O solar térmico residencial não desapareceu, mas deixou de ser a escolha por omissão, e o mercado de trabalho acompanhou essa mudança.
O que cresce é outra coisa. O calor de processo industrial entre 60 e 150 graus, em lavandarias, indústria agroalimentar, têxtil e química, continua a ser produzido a gás e é exatamente a gama onde o coletor solar tem melhor rendimento. As grandes instalações coletivas, em hotelaria, lares, piscinas e redes de água quente, mantêm procura estável. E os campos de coletores ligados a redes de calor são hoje a fronteira tecnológica do setor na Europa do Norte, com escalas que exigem engenharia de sistema e não instalação.
O que se faz e o que falha
A profissão divide-se entre projeto e assistência. No projeto, o trabalho é dimensionar área de captação, volume de acumulação e permutação em função do perfil de consumo, e prever o comportamento do sistema em sobreaquecimento de verão, que é a causa mais frequente de avaria e de degradação do fluido. Na assistência, o trabalho é de canalização e montagem de tubagens: purgar circuitos, verificar vasos de expansão, substituir fluido térmico degradado, corrigir isolamentos e reparar sondas.
O diagnóstico é onde está a competência rara. Um parque grande de instalações antigas funciona muito abaixo do previsto porque ninguém mede, e quem sabe fazer auditoria energética a um sistema solar térmico e provar a diferença entre o esperado e o real tem trabalho garantido em manutenção e em renovação de instalações.
Empregadores e percursos
Contratam empresas de climatização e de águas quentes, como o Saman Group, instaladores integrados de energia doméstica, empresas de serviços energéticos que trabalham por contrato de desempenho e fabricantes de coletores e de depósitos. Os títulos mais frequentes são técnico de assistência de climatização, montador de sistemas térmicos e técnico de eficiência energética.
Quem vem da instalação fotovoltaica tem meio caminho andado na parte de cobertura e de fixação, e falta-lhe a hidráulica; quem vem da climatização tem o inverso. As empresas que hoje mais contratam são precisamente as que fazem as duas coisas na mesma visita.
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