Empregos em Transporte e distribuição de eletricidade em energias renováveis
Empregos em transporte e distribuição de eletricidade nas energias renováveis
O transporte e a distribuição de eletricidade abrangem o planeamento, a construção, a operação e a manutenção das linhas, cabos, subestações e interligações que levam a energia das centrais aos consumidores, da muito alta à baixa tensão.
Com mais produção renovável, dispersa e variável, a rede deixou de ser um canal passivo e passou a ser o estrangulamento de quase todos os projetos. Em agosto de 2026, o Governo aprovou o plano de investimento da rede de distribuição da E-REDES para 2026-2030, com cerca de 1,58 mil milhões de euros para modernizar linhas e subestações, digitalizar a rede e ligar mais produção, armazenamento e autoconsumo.
Transporte e distribuição: dois trabalhos diferentes
Em Portugal, a REN opera a Rede Nacional de Transporte, em muito alta tensão, e a E-REDES a maior parte da rede de distribuição. No transporte, o trabalho gira em torno de grandes projetos de linhas e subestações. A nova interligação a 400 kV entre o Minho e a Galiza, inaugurada em 2026, aumentou em cerca de 1000 MW a capacidade de troca com Espanha, para 4200 MW no sentido Espanha-Portugal. Na distribuição, a obra é mais dispersa: reforços locais, novas ligações de autoconsumo e de carregamento elétrico, postos de transformação e renovação de redes aéreas e subterrâneas.
As funções vão do planeamento de rede e dos estudos de ligação, próximos da análise de sistemas elétricos, à engenharia de subestações e às proteções de sistemas elétricos. No terreno trabalham encarregados de obra, equipas de montagem de linhas e cabos elétricos e eletricistas de trabalhos em tensão, uma especialidade que aparece nos anúncios portugueses como eletricista de serviço de rede em linha viva.
Uma rede exposta ao clima
A depressão Kristin, no início de 2026, mostrou quanto pesa a mão de obra no terreno. A E-REDES registou mais de 6000 quilómetros de rede afetados e cerca de 5800 postes danificados por ventos acima de 200 quilómetros por hora, e mobilizou perto de 2500 profissionais, incluindo equipas vindas de Espanha, do Brasil, de França e da Irlanda. A resiliência da rede a fenómenos extremos passou a ser um dos eixos do investimento, ao lado da integração de renováveis.
Quem contrata
Nos anúncios desta categoria destacam-se a australiana TransGrid, a Scottish Power, do grupo Iberdrola, e a SSE. Glasgow, Perth, Inverness e Aberdeen aparecem entre as cidades com mais ofertas, reflexo do reforço da rede escocesa para escoar a eólica do norte. A Enel, a neerlandesa Enexis e consultoras de engenharia como a Ulteig completam a lista. Em Portugal, contratam a REN, a E-REDES e os empreiteiros e fabricantes de equipamento que trabalham para ambas.
Competências mais valorizadas
Os engenheiros eletrotécnicos com experiência em projeto de linhas, ligação de centrais renováveis ou planeamento com Primavera P6 são disputados, e os eletricistas com credenciação para trabalhos em tensão também. O problema é demográfico: a Agência Internacional de Energia calcula que, nas redes elétricas, há 1,4 trabalhadores perto da reforma por cada jovem que entra no setor.
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