Empregos em Recursos humanos e recrutamento em energias renováveis
Empregos em recursos humanos e recrutamento nas energias renováveis
Os recursos humanos nas energias renováveis tratam do recrutamento, da gestão administrativa e salarial, das relações laborais e do desenvolvimento das pessoas em empresas que precisam de contratar técnicos e engenheiros mais depressa do que o mercado os forma.
Esse desfasamento é o que distingue a função da de outros setores. No inquérito da Agência Internacional de Energia a 700 empresas, sindicatos e entidades formadoras, mais de metade relatou estrangulamentos críticos na contratação, e nas economias avançadas há 2,4 trabalhadores do setor perto da reforma por cada novo profissional com menos de 25 anos. Um recrutador numa empresa de energia não preenche vagas de um catálogo estável: compete por eletricistas, técnicos de manutenção e engenheiros de rede com construtoras, indústria e operadores de rede de toda a Europa.
O que o trabalho envolve
Os anúncios desta categoria dividem-se em quatro famílias. Os HR business partners acompanham uma direção ou uma região e traduzem os planos de negócio em necessidades de pessoal, de uma equipa de manutenção eólica a um novo centro de engenharia. Os recrutadores e especialistas de talent acquisition gerem o funil de candidatos, muitas vezes com perfis técnicos que exigem saber ler um currículo de engenharia. Os generalistas e técnicos de processamento salarial tratam contratos, turnos, ajudas de custo e deslocações, um tema pesado numa atividade em que muitos técnicos passam semanas fora de casa. E as funções de desenvolvimento organizacional desenham carreiras, planos de sucessão e programas de formação e desenvolvimento de competências.
Há uma particularidade que distingue o setor: a segurança pesa nos recursos humanos como em poucos outros. Certificações obrigatórias para trabalho em altura e em instalações elétricas, exames médicos e registos de formação fazem parte do dia a dia, e a fronteira com a segurança e saúde no trabalho é estreita.
Quem contrata
Os operadores de rede e as empresas de serviços públicos lideram os anúncios: a neerlandesa Enexis, a Hydro-Québec, a berlinense BEW e a australiana Transgrid contratam recrutadores e business partners para acompanhar programas de investimento em rede. Os fabricantes e promotores formam o segundo grupo, com a Nordex, a Siemens Energy, a UKA e a Ørsted. Um terceiro grupo, menos óbvio, são as empresas de energia solar fora da rede, como a d.light e a Sun King, que vendem sistemas solares domésticos em África e na Ásia e recrutam para grandes redes de vendas e assistência.
Em Portugal, as grandes empresas do setor investem na relação com as universidades. A REN mantém um programa de embaixadores universitários aberto a estudantes de eletrotecnia, mecânica, química, gestão, economia, informática e ambiente, ligado ao seu programa de trainees.
Porque a procura vai continuar
O presidente da APREN estimou, numa entrevista à Renascença, que o cumprimento integral do PNEC 2030 representaria entre 90 000 e 116 000 novos empregos qualificados em Portugal, entre construção, operação, comercialização e monitorização de projetos. Mesmo que o número real fique abaixo, a ordem de grandeza explica porque os departamentos de pessoal das empresas de energia crescem.
Competências mais valorizadas
Quem vem de recrutamento generalista precisa de aprender a linguagem técnica do setor: distinguir um técnico de alta tensão de um eletricista de baixa tensão, saber que certificações um técnico de turbinas tem de trazer e perceber o que faz um engenheiro de estudos de rede. A experiência com mobilidade internacional, vistos e destacamento de trabalhadores vale muito em empresas com obras em vários países. Com as reformas a superar as entradas nas profissões técnicas, a capacidade de requalificar pessoas vindas de outras indústrias conta hoje tanto como a de as recrutar.
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