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Empregos em Desenvolvimento de negócio em energias renováveis
Empregos em desenvolvimento de negócio nas energias renováveis
O desenvolvimento de negócio nas energias renováveis consiste em encontrar novos mercados, clientes e parceiros e transformá-los em contratos: acordos de compra de eletricidade, parcerias para novos projetos, entradas em novos países ou vendas de soluções a empresas e famílias.
Em Portugal, grande parte dessa atividade é feita por capital estrangeiro. Numa entrevista da Renascença ao presidente da APREN, a associação das renováveis, publicada em abril de 2025, os estrangeiros surgem como responsáveis por 85% dos projetos em cima da mesa, e o dirigente sublinha que o país tem, para as renováveis, um risco sistémico muito inferior ao de Espanha. Para quem trabalha em desenvolvimento de negócio, isso significa equipas internacionais e muita negociação em inglês.
O que o trabalho envolve
O título cobre funções muito diferentes consoante o segmento. Num promotor de grandes centrais, o business developer procura terrenos e pontos de ligação, identifica parceiros locais, negocia com proprietários e autarquias e acompanha o projeto até à decisão de investimento, em estreita ligação com o licenciamento. Numa comercializadora ou num fornecedor de tecnologia, é sobretudo trabalho comercial com grandes clientes: contratos de fornecimento de energia verde, acordos de compra de eletricidade de longo prazo, soluções de autoconsumo e armazenamento para indústria. No segmento residencial, sobretudo na Alemanha, os anúncios são de vendas diretas de painéis e bombas de calor, muitas vezes feitas por agentes independentes.
A fronteira com a comercialização e trading de energia é estreita: quem negoceia um contrato de compra de eletricidade de dez anos precisa de perceber preços, perfis de produção e riscos de mercado.
Argumentos e riscos do mercado português
O argumento comercial de Portugal é o preço. No primeiro semestre de 2026, segundo os resultados da REN, o preço médio do mercado grossista de eletricidade foi de 48,8 euros por MWh, cerca de 2% abaixo de Espanha e 26% abaixo de França, e a empresa associa o crescimento da atividade a pedidos de ligação de centros de dados, unidades industriais e novos projetos eólicos e solares. Esses consumidores são os clientes naturais de quem vende contratos de longo prazo.
O risco é regulatório e de calendário. Em setembro de 2026, o Governo adiou o leilão que ia atribuir 1050 MVA de capacidade de ligação à rede a projetos com armazenamento, dos quais 750 MVA para baterias autónomas. Um responsável de desenvolvimento de negócio passa boa parte do tempo a gerir estas incertezas junto de investidores e parceiros, e as oportunidades em sistemas de armazenamento de energia em baterias dependem diretamente destes leilões.
Quem contrata
Os anúncios vêm de três tipos de empresa. Os promotores e produtores, como a EDP Renewables, a BayWa r.e., a Vattenfall e a ScottishPower, procuram quem abra mercados e feche parcerias. As comercializadoras e plataformas, como a Octopus Energy e a britânica Axle Energy, vendem tarifas, flexibilidade e serviços a empresas. E há os fabricantes, da checa TEDOM, que produz unidades de cogeração, à d.light, que vende sistemas solares fora da rede em África e na Ásia.
Competências mais valorizadas
O perfil mais disputado junta formação em engenharia, economia ou gestão com uma rede de contactos no setor e experiência a fechar negócios complexos. Saber construir um modelo financeiro simples, ler um contrato de compra de eletricidade e explicar a um cliente industrial a diferença entre preço fixo e indexado vale mais do que técnicas de venda genéricas. Com o armazenamento e os centros de dados a mudar a procura de eletricidade em Portugal, quem conseguir juntar uma bateria, uma central solar e um grande consumidor no mesmo negócio terá argumentos que poucos concorrentes têm.